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O par GBP/USD inicia o novo mês em alta consistente, avançando para a região de 1,3300 — uma nova máxima semanal — após uma série de sinais positivos sobre uma possível desescalada do conflito no Oriente Médio.
A libra encontra-se no epicentro de um choque de forças: por um lado, o aumento das expectativas de paz, que enfraquecem o dólar como ativo de refúgio; por outro, a persistente fragilidade dos fundamentos da economia britânica e a incerteza em torno da política monetária.
Situação atual: esperanças de paz e dados do PIB do Reino Unido
1. Na terça-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, indicou que o país poderia encerrar a operação militar contra o Irã dentro de duas a três semanas, o que gerou otimismo quanto a uma possível desescalada no Médio Oriente. Nesta quarta-feira, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian afirmou que o seu país estava pronto para pôr fim ao conflito com os EUA, mas condicionou isso à obtenção de garantias que impeçam novas agressões.
Essas declarações enfraqueceram o dólar como ativo de refúgio e favoreceram a valorização do GBP/USD. O par reagiu na região de 1,3160 (mínima de quatro meses) e ganhou impulso positivo pelo segundo dia consecutivo
2. Ontem foram divulgados os dados do produto interno bruto (PIB) do Reino Unido relativos ao quarto trimestre, que vieram em linha com as previsões: o crescimento em termos trimestrais avançou 0,1%, enquanto o crescimento anual ficou em 1,0%, ligeiramente abaixo dos 1,2% do período anterior.
Economistas observam que o crescimento geral no final do ano passado permaneceu bastante fraco, e isso foi antes dos efeitos negativos da crise no Oriente Médio. Daqui para frente, a situação pode apenas piorar, o que coloca em dúvida a necessidade de uma postura hawkish por parte do Banco da Inglaterra.
Os participantes do mercado atualmente têm visões divergentes sobre os próximos passos do Banco da Inglaterra. Alguns esperam duas ou três mudanças nas taxas de juros, enquanto a maioria dos economistas acredita que as autoridades continuarão adotando uma postura de "esperar para ver".
O crescimento fraco do PIB no quarto trimestre e a deterioração esperada sob a influência da crise no Oriente Médio reduzem a necessidade de uma abordagem mais agressiva na política monetária.
Fatores chave: esperanças de paz e a reação do dólar americano
Sinais de um possível fim do conflito surgem de ambos os lados. O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, afirmou recentemente que a porta para um acordo permanece aberta e que os próximos dias poderão ser decisivos. O Irã, por sua vez, manifestou disposição para encerrar a guerra, desde que sejam fornecidas garantias.
Segundo a imprensa, o presidente Donald Trump admite a possibilidade de encerrar as hostilidades mesmo que as restrições ao tráfego no Estreito de Ormuz se mantenham. Essa posição afeta diretamente os mercados globais: a expectativa de normalização dos fluxos de petróleo reduz o prémio de risco geopolítico de curto prazo, o que já se reflete nos preços da commodity e na valorização dos índices acionários.
Ontem, o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, afirmou que, apesar da alta dos preços da energia, as expectativas de inflação permanecem estáveis até o momento e, portanto, o banco central não vê necessidade de ajustar o custo do crédito. Essa declaração apoiou o apetite por risco e enfraqueceu o dólar.
No entanto, economistas alertam que o otimismo em relação a Powell — que deixará o cargo em maio — pode ser excessivo. Os preços da gasolina nos EUA subiram 30% no último mês, enquanto fabricantes chineses vêm aumentando os preços de exportação em até 20%.
Na terça-feira, foram divulgados os dados do JOLTS referentes a fevereiro, mostrando uma queda nas vagas de emprego nos EUA para 6,882 milhões (abaixo da previsão de 6,920 milhões), e a taxa de contratação caiu para 3,1%, o menor nível em cinco anos.
Hoje, são esperados os dados de emprego privado ADP de março (previsão: +40.000) e o PMI Industrial do ISM (previsão: 52,5).
O principal evento da semana será o relatório de emprego de março (Nonfarm Payrolls), na sexta-feira. Os economistas esperam a criação de 60.000 novos empregos, após uma queda de 92.000 em fevereiro, com a taxa de desemprego permanecendo em 4,4%.
Os mercados acionários dos EUA estarão fechados na sexta-feira por ocasião da Sexta-feira Santa; portanto, a primeira reação aos dados sobre o emprego não agrícola se refletirá nas taxas de rendimento dos títulos, no dólar e nos futuros de commodities.
Conclusão
O GBP/USD está apresentando uma recuperação consistente em meio ao aumento das esperanças de uma redução das tensões no conflito do Oriente Médio. Os comentários do presidente Donald Trump sobre a possibilidade de encerrar a operação dentro de duas a três semanas, juntamente com a disposição do Irã para a paz, criaram um impulso positivo que enfraqueceu o dólar como ativo de proteção (safe haven).
No entanto, a fraqueza fundamental da economia britânica continua sendo um fator limitante. O PIB do Reino Unido no quarto trimestre cresceu apenas 1,0% em termos anuais, e especialistas esperam uma deterioração adicional sob o impacto da crise.
As perspectivas para a política monetária do Banco da Inglaterra permanecem incertas: os mercados estão divididos entre expectativas de aumento das taxas de juros e a continuidade de uma postura de "esperar para ver".
A zona entre 1,3278 (EMA144 no gráfico de 1 hora) e 1,3320 (EMA 50 no gráfico semanal) será o palco de uma batalha decisiva nos próximos dias. Manter-se acima dessa faixa manterá a chance de testar 1,3365 (EMA 200 no gráfico diário) – 1,3382 (EMA 200 no gráfico de 4 horas), enquanto uma quebra abaixo abrirá caminho para 1,3260 – 1,3200.
Em qualquer cenário, a volatilidade deverá permanecer elevada. Os investidores devem acompanhar de perto os desdobramentos dos contactos diplomáticos em torno do Estreito de Ormuz e, sobretudo, os dados de emprego dos EUA previstos para sexta-feira.
Como observou o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, a porta para um acordo permanece aberta. No entanto, no mercado cambial, tendem a ter melhor desempenho aqueles que conseguirem avaliar o equilíbrio entre as expectativas de paz e as reais consequências inflacionárias de um conflito prolongado.